Gustavo Gurgel: a pesquisa que coloca Rondônia entre os primeiros centros agrícolas das Américas
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Atualizado: há 2 dias
Pós-doutor em Geografia, professor da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e pesquisador das relações entre território, alimentação e cultura, Gustavo Gurgel do Amaral dedica sua carreira ao estudo da Amazônia e dos conhecimentos produzidos pelos povos originários. Ao investigar a história da macaxeira e a ocupação do alto rio Madeira, reuniu evidências arqueológicas que colocam Porto Velho entre os mais antigos centros conhecidos de domesticação da macaxeira nas Américas. A partir dessas pesquisas, defende que esse patrimônio histórico e cultural ocupe um lugar central na identidade de Rondônia.

Há uma história anterior à colonização
Quando Gustavo Gurgel fala sobre Rondônia, a conversa dificilmente começa pela criação do estado ou pelos episódios mais conhecidos da ocupação recente da Amazônia. A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, os ciclos migratórios e a formação do antigo Território Federal aparecem na entrevista como acontecimentos importantes, mas insuficientes para explicar a história do lugar onde nasceu. O pesquisador prefere recuar milhares de anos e iniciar a narrativa em um período muito anterior à chegada dos europeus.
Segundo ele, pesquisas arqueológicas desenvolvidas nas últimas décadas indicam que a região do alto rio Madeira participou de um dos primeiros processos de domesticação da macaxeira nas Américas. Vestígios encontrados em sítios arqueológicos como Santo Antônio, em Porto Velho, e Monte Castelo, em Rondônia, apontam para uma ocupação humana que remonta a cerca de dez mil anos. A afirmação altera a perspectiva sobre a história regional. Em vez de um território cuja relevância começaria apenas com a colonização ou com os projetos de integração da Amazônia, Gustavo descreve uma região que já ocupava posição estratégica na produção de alimentos quando boa parte do mundo ainda dava os primeiros passos na agricultura.
Ao explicar essa hipótese, ele lembra que são poucas as áreas reconhecidas pela arqueologia como centros primários de domesticação de plantas. A Mesopotâmia costuma ser associada aos cereais; a Mesoamérica, ao milho; os Andes, à batata. Na Amazônia, afirma, a macaxeira ocupa esse lugar. Não se trata de uma interpretação construída a partir do orgulho regional, mas de um conjunto de pesquisas arqueológicas que vem sendo ampliado nas últimas décadas e que, segundo ele, ainda permanece pouco conhecido fora do ambiente acadêmico.
Essa constatação acabou se tornando uma das principais motivações de seu trabalho. Se uma das plantas mais importantes da alimentação brasileira possui uma história tão profundamente ligada ao território amazônico, por que essa informação ainda circula quase exclusivamente entre pesquisadores? A resposta, acredita, passa pela necessidade de aproximar ciência, educação, patrimônio cultural e gastronomia.
Antes da pesquisa, veio a cozinha
Embora hoje seja reconhecido pelas pesquisas que aproximam geografia, arqueologia e alimentação, a relação de Gustavo Gurgel com a cozinha começou muito antes da universidade. Ela nasceu dentro de casa, em Porto Velho, onde cresceu cercado por lembranças que hoje identifica como parte da própria memória afetiva que mais tarde passaria a estudar.
Filho de pai amazonense e mãe mato-grossense, costuma brincar que é um "rondoniense típico". Seus pais chegaram ao então Território Federal de Rondônia ainda na década de 1960 e aqui formaram a família. Gustavo nasceu em Porto Velho e diz que sua própria origem reflete a formação do estado, resultado do encontro entre pessoas vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Centro-Oeste.
Na infância, a cozinha ocupava um lugar central na rotina da família. A avó era quituteira e doceira. Preparava doces utilizando frutas do quintal, como o caju, e tinha prazer em receber parentes e amigos ao redor da mesa. Anos depois, quando passou a pesquisar a relação entre alimentação e memória, Gustavo percebeu que muitas das perguntas que formulava na universidade já estavam presentes naquele ambiente doméstico.
Foi também em casa que descobriu o gosto por cozinhar. Por volta dos dez anos de idade, o pai lhe pediu que ajudasse a mãe preparando um suco. Vieram os elogios, depois novas experiências e, pouco a pouco, a cozinha transformou-se em um hábito. Hoje, calcula que cozinha há mais de três décadas. Gosta de pesquisar receitas, experimentar preparos e receber pessoas em casa, mantendo uma relação com a comida que ultrapassa o interesse acadêmico.
Essa ligação também acompanhava a família nas viagens. Sempre que saíam da Amazônia, levavam peixes e outros produtos da região na bagagem. Gustavo lembra que, muitas vezes, era preciso pagar excesso de peso para transportar os sabores de casa. A lembrança permanece viva porque traduz um costume comum entre muitas famílias amazônicas: a necessidade de levar consigo alimentos que dificilmente seriam encontrados em outros lugares do país. "É muito difícil encontrar um peixe mais saboroso do que o nosso tambaqui", comenta.
Décadas mais tarde, a comida deixaria de ser apenas parte da história familiar para se tornar objeto de pesquisa. A memória construída na cozinha da infância encontraria, na universidade, um campo fértil para compreender como alimentação, território e cultura permanecem profundamente conectados.
A comida levou a pesquisa para outro caminho
As experiências vividas na cozinha de casa permaneceram durante toda a juventude. Transformá-las em objeto de pesquisa, porém, levaria alguns anos. O ponto de inflexão surgiu na graduação em Geografia, quando Gustavo percebeu que os trabalhos de campo despertavam mais interesse do que os limites tradicionais da disciplina. Em vez de concentrar seus estudos apenas na paisagem, no relevo ou na cartografia, passou a investigar como diferentes grupos humanos constroem relações com o território onde vivem.
Esse movimento levou suas pesquisas às comunidades tradicionais e aos povos indígenas de Rondônia. O contato frequente com essas populações modificou o foco de seus estudos. A alimentação passou a aparecer não apenas como prática cotidiana, mas como parte de um conjunto muito mais amplo de conhecimentos sobre agricultura, manejo da floresta, ocupação do território e transmissão de saberes entre gerações.
Durante esse período, Gustavo começou a registrar receitas, técnicas culinárias e modos de preparo compartilhados pelas comunidades visitadas. O material permanece guardado há cerca de vinte anos e reúne anotações produzidas ao longo de diferentes pesquisas de campo. A intenção é transformá-las, futuramente, em uma publicação.
Curiosamente, a expressão Geografia dos Sabores, que hoje identifica boa parte de sua produção acadêmica, ainda não existia. Primeiro vieram os estudos sobre território e comunidades tradicionais. Depois surgiram as perguntas relacionadas à alimentação. Somente anos mais tarde essas duas áreas passariam a formar uma mesma linha de investigação.
Quando a escola encontrou conhecimentos que já existiam
A mudança mais significativa em sua forma de compreender a relação entre território e cultura ocorreu quando passou a integrar um programa da Secretaria de Estado da Educação voltado à formação de professores indígenas. Já como docente da Universidade Federal de Rondônia, trabalhou com representantes de praticamente todas as etnias presentes no estado, responsáveis por atuar posteriormente nas escolas de suas próprias comunidades.
A experiência levou Gustavo a observar uma situação que considera reveladora. Em algumas aldeias encontrou escolas novas, construídas segundo os padrões convencionais da educação formal, mas pouco utilizadas para as atividades de ensino. Em determinados casos, aqueles prédios serviam até como depósito de materiais.
A explicação, segundo ele, não estava na falta de interesse pela educação. O conhecimento já circulava na comunidade muito antes da construção das escolas.
As crianças aprendiam a reconhecer os períodos de cheia e vazante dos rios, identificavam espécies vegetais, acompanhavam os adultos na pesca, escolhiam áreas adequadas para o cultivo da macaxeira e compreendiam o funcionamento do território pela própria experiência cotidiana. A escola continuava importante, mas não representava o início do processo de aprendizagem.
Foi a partir dessa convivência que Gustavo passou a formular uma pergunta que acompanharia suas pesquisas nos anos seguintes: como reconhecer, dentro da universidade e das políticas públicas, conhecimentos produzidos fora dos modelos tradicionais de ensino?
Essa questão abriria caminho para outro conceito que se tornaria recorrente em sua produção acadêmica: a Geografia da Resistência, desenvolvida a partir da observação das comunidades tradicionais e, posteriormente, ampliada pela ideia de Re-Existência, expressão criada para descrever povos que preservam seus modos de vida não apenas resistindo às mudanças impostas ao longo da história, mas recriando continuamente seus conhecimentos, suas práticas e sua relação com o território.
Uma geografia construída pela comida
Foi nesse conjunto de pesquisas que Gustavo começou a perceber que determinados aspectos da cultura amazônica apareciam repetidamente sempre que visitava uma comunidade. Mudavam os povos, as localidades e os contextos históricos, mas certos elementos permaneciam presentes. A macaxeira, a farinha, o peixe, as formas de cultivo, o conhecimento sobre os rios, o aproveitamento da floresta e os modos de preparar os alimentos surgiam de maneira recorrente. Aos poucos, concluiu que a alimentação não poderia ser analisada apenas como uma prática doméstica. Ela constituía uma forma de compreender a ocupação do território, a circulação de conhecimentos e a própria organização das comunidades. Foi desse percurso que surgiria, anos depois, a Geografia dos Sabores, linha de pesquisa que passou a reunir temas antes tratados separadamente pela Geografia, pela Arqueologia, pela Antropologia e pela Gastronomia.
Essa mudança de perspectiva alterou também a maneira como Gustavo passou a observar a história da Amazônia. Em vez de utilizar a alimentação apenas como consequência da ocupação humana, passou a entendê-la como uma das principais evidências da forma como os povos originários construíram sua relação com o território. A comida deixou de ser apenas resultado da cultura. Tornou-se uma chave para compreender como essa cultura foi produzida.
O pesquisador evita tratar esse conhecimento como algo estático. Ao longo da entrevista, insiste que os saberes culinários não permaneceram preservados por acaso. Eles continuaram existindo porque foram transmitidos entre gerações, adaptados às mudanças e incorporados ao cotidiano das comunidades. Foi nesse contexto que surgiu outro conceito desenvolvido por ele: a Re-Existência.
Segundo Gustavo, a palavra nasceu da percepção de que "resistir" não descrevia completamente o que observava nas comunidades tradicionais. Resistência sugere apenas suportar uma pressão externa. Reexistir significa continuar produzindo cultura, reorganizando práticas e recriando formas de viver mesmo diante das transformações históricas. A alimentação oferece um dos exemplos mais claros desse processo. Técnicas de produção da farinha, formas de beneficiamento da macaxeira, conhecimentos sobre plantio e preparo dos alimentos permanecem vivos porque continuam sendo praticados.
Foi daí que surgiu aquilo que Gustavo chama de cozinha da Re-Existência.
A cozinha começa muito antes da panela
Ao longo da entrevista, Gustavo evita separar agricultura, alimentação e território. Sempre que a conversa se aproxima da gastronomia, ele recua alguns passos e procura explicar tudo o que acontece antes do prato chegar à mesa.
Para ele, a cozinha começa na escolha da terra.
Os povos originários dominavam conhecimentos detalhados sobre diferentes tipos de solo, ciclos das águas, características das espécies vegetais e comportamento da floresta. Sabiam onde cada planta deveria ser cultivada e quais combinações produziam melhores resultados. A macaxeira dividia espaço com árvores, frutos, palmeiras e outras espécies que hoje seriam identificadas como parte de sistemas agroflorestais.
Essa organização chama a atenção do pesquisador porque muitos princípios defendidos atualmente pela agroecologia já estavam presentes nessas práticas desenvolvidas há milhares de anos. A produção agrícola não era baseada na substituição da floresta por grandes áreas abertas. Ao contrário. Diferentes espécies conviviam no mesmo ambiente, compartilhando relações ecológicas com fungos, bactérias, insetos, aves e mamíferos.
Segundo Gustavo, esse conhecimento foi acumulado muito antes da existência das explicações científicas modernas.
Um dos exemplos citados por ele é a própria macaxeira. Os povos originários já dominavam técnicas capazes de retirar sua toxicidade e transformá-la em alimento seguro milhares de anos antes de a ciência compreender os processos químicos envolvidos nesse beneficiamento. A produção da farinha, tão presente na alimentação amazônica, representa uma tecnologia desenvolvida por essas populações ao longo de muitas gerações.
Essa observação leva Gustavo a uma crítica recorrente durante a entrevista. Durante muito tempo, afirma, os conhecimentos produzidos pelos povos indígenas foram tratados como práticas rudimentares ou atrasadas. As pesquisas arqueológicas, etnográficas e antropológicas desenvolvidas nas últimas décadas descrevem um cenário bastante diferente.
A Amazônia nunca foi uma floresta vazia
Uma das ideias que Gustavo procura desconstruir é a interpretação de que a Amazônia era ocupada apenas por pequenos grupos isolados de caçadores e coletores vivendo em uma floresta intocada. Segundo ele, essa narrativa perdeu força à medida que novas pesquisas arqueológicas passaram a revelar evidências de ocupações permanentes, redes de circulação entre comunidades e sistemas agrícolas sofisticados.
Durante a entrevista, cita cerâmicas com milhares de anos de antiguidade, geoglifos, sítios arqueológicos distribuídos pela Amazônia e estruturas cuja função ainda é estudada por pesquisadores. Menciona, por exemplo, grandes lajes de pedra contendo cavidades circulares que podem ter sido utilizadas para acompanhar movimentos dos corpos celestes e definir períodos de plantio. Embora ressalte que essas interpretações continuam sendo discutidas pela arqueologia, considera que o conjunto das descobertas amplia significativamente a compreensão sobre as sociedades que viveram na região.
Outro aspecto frequentemente lembrado por Gustavo é a chamada terra preta antropogênica. Encontrada em diferentes áreas da Amazônia, ela resulta da ação humana e representa uma das evidências mais conhecidas do manejo realizado pelos povos originários. Segundo ele, existem registros desse processo também na região do alto rio Madeira, reforçando a ideia de que essas populações modificavam o ambiente de forma planejada muito antes da chegada dos europeus.
É nesse momento da entrevista que Gustavo utiliza uma imagem que sintetiza boa parte de seu pensamento. Em vez de enxergar os povos originários apenas como habitantes da floresta, propõe compreendê-los como jardineiros da floresta. A expressão resume uma visão construída ao longo de anos de pesquisa: a floresta amazônica não foi apenas ocupada. Ela também foi manejada, cultivada e transformada por gerações de pessoas que aprenderam a produzir alimentos preservando as relações ecológicas que sustentavam aquele ambiente.
Cozinha beradeira: uma cultura construída às margens dos rios
Quando a conversa chega à expressão cozinha beradeira, Gustavo faz uma pausa. Acostumado a falar para públicos de Rondônia, percebe que o termo pode soar evidente para quem vive na Amazônia, mas pouco compreensível para leitores de outras regiões do país. Sua preocupação é justamente evitar que a expressão seja reduzida a uma lista de receitas ou ingredientes.
Segundo ele, a cozinha beradeira nasce da relação histórica entre as populações ribeirinhas e os rios amazônicos. É uma culinária produzida por comunidades que aprenderam a viver em um território onde os ciclos das águas determinam períodos de plantio, pesca, deslocamento e disponibilidade de alimentos. A macaxeira, a farinha e os peixes aparecem como elementos recorrentes, mas não definem sozinhos essa identidade. O que caracteriza essa cozinha é o conjunto de conhecimentos acumulados em torno desses alimentos: a escolha da área de cultivo, o beneficiamento da mandioca, a produção da farinha, o aproveitamento integral dos recursos disponíveis e a transmissão dessas práticas entre diferentes gerações.
Para Gustavo, separar o prato da história que o produziu significa compreender apenas parte do processo. A culinária amazônica guarda técnicas desenvolvidas ao longo de milhares de anos, muitas delas anteriores à formação do próprio Brasil. É por isso que ele costuma aproximar gastronomia, arqueologia e geografia. Os alimentos contam uma história que não aparece apenas nos documentos escritos, mas também nas práticas cotidianas que sobreviveram ao tempo.
Essa leitura altera inclusive a forma de interpretar ingredientes considerados comuns. A farinha, por exemplo, deixa de ser apenas um acompanhamento presente na mesa amazônica. Ela representa o resultado de um longo processo de observação da natureza, seleção de variedades de mandioca, desenvolvimento de técnicas capazes de eliminar sua toxicidade e aperfeiçoamento de métodos de beneficiamento transmitidos entre gerações. O alimento chega ao prato carregando uma história muito mais antiga do que normalmente se imagina.
Um patrimônio que ainda espera reconhecimento
Ao longo da entrevista, Gustavo retorna diversas vezes à mesma pergunta: por que uma região que reúne evidências arqueológicas dessa dimensão ainda conhece tão pouco a própria história? A resposta que propõe passa pela criação do Museu da Macaxeira.
A ideia não surgiu como um projeto voltado exclusivamente à gastronomia. O pesquisador imagina um espaço capaz de reunir arqueologia, história, agricultura, alimentação, educação patrimonial e turismo em torno de um mesmo eixo narrativo. A macaxeira seria o ponto de partida para explicar a ocupação do alto rio Madeira, os conhecimentos desenvolvidos pelos povos originários e a participação dessa região em um dos mais antigos processos de domesticação de plantas das Américas.
Na avaliação de Gustavo, esse patrimônio permanece disperso entre sítios arqueológicos, pesquisas científicas e acervos institucionais. Um museu permitiria reunir essas informações e aproximá-las da população, oferecendo um espaço dedicado à história da macaxeira, às descobertas arqueológicas realizadas na região e aos conhecimentos que atravessaram milhares de anos até permanecerem presentes na alimentação amazônica.
A proposta dialoga com diferentes áreas. Cultura, educação, turismo, agricultura e desenvolvimento econômico aparecem, em sua avaliação, como políticas complementares quando o patrimônio histórico passa a ser reconhecido pela sociedade. Durante a entrevista, Gustavo lembra que diferentes regiões do mundo transformaram produtos tradicionais em símbolos de identidade, fortaleceram suas indicações geográficas e construíram estratégias de desenvolvimento a partir da própria história. Para ele, Rondônia reúne condições para fazer o mesmo porque esse patrimônio continua preservado no território e na cultura alimentar de sua população.
Ao longo de mais de duas décadas de pesquisa, Gustavo percorreu comunidades tradicionais, participou da formação de professores indígenas, registrou receitas, estudou arqueologia e aproximou a geografia da alimentação. A macaxeira tornou-se o ponto de convergência desse percurso porque reúne agricultura, território, memória e conhecimentos produzidos pelos povos que habitavam a região do alto rio Madeira muito antes da formação do estado de Rondônia.
Sua defesa pela criação do Museu da Macaxeira nasce dessa trajetória. Para o pesquisador, o projeto representa a oportunidade de transformar décadas de produção científica em conhecimento acessível à população e de dar visibilidade a um conjunto de evidências arqueológicas que coloca Porto Velho, na região do alto rio Madeira, entre os mais antigos centros conhecidos de domesticação da macaxeira nas Américas. Reconhecer esse patrimônio, afirma, significa ampliar a compreensão sobre a história da capital rondoniense e sobre a contribuição que esse território ofereceu para a formação da agricultura no continente.



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