NASCE UM CRÍTICO INDIGESTO

Atualizado: 2 de ago.
Se você procura um crítico que elogie por educação, feche esta página agora!

Há duas espécies de críticos gastronômicos. Os que distribuem elogios como
quem distribui panfletos e os que confundem sinceridade com grosseria. Não pertenço a
nenhuma delas.
Não escrevo para agradar chefs e donos de restaurantes, conquistar convites ou
acumular refeições gratuitas. Escrevo porque a comida merece ser levada a sério.
Quando um restaurante faz isso bem, terá meu aplauso. Quando faz mal, terá minha
crítica. Não por maldade, mas por honestidade.
Há quem confunda crítica gastronômica com falar mal. Não é o meu caso.
Falar mal qualquer um fala. Criticar exige repertório, conhecimento, memória, método,
técnica e coragem para desagradar.
Nesta coluna não há meia colher. Se o prato for memorável, direi. Se for uma
tragédia servida em porcelana, também. Não faço crítica para aumentar o ego de
ninguém. Faço porque a gastronomia merece mais verdade e menos bajulação.
Não espere complacência. Elogios serão conquistados, críticas, inevitáveis
quando merecidas. Não me interessa seguir modismos nem proteger vaidades. Interessa- me a comida, sua história, sua técnica e o respeito que ela merece.
Sou O Alho Gordo.
Nesta coluna, nem tudo será fácil de engolir. Além de analisar pratos,
restaurantes e cozinhas, vou cutucar mitos, denunciar preguiças gastronômicas e
provocar discussões que muita gente prefere deixar em fogo baixo.
E, como todo bom alho, às vezes arde, às vezes incomoda, mas quase sempre
melhora a receita. Alguns dirão que sou ácido. Prefiro dizer que apenas devolvo à mesa
um tempero que anda em falta: sinceridade. Outros dirão que escrevo sobre restaurantes.
Estão enganados. Escrevo sobre cultura alimentar. Restaurantes são apenas o lugar onde
ela se revela ou onde ela fracassa.



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